O Guia do Terrorista
Supõe que és um terrorista. Não te escandalizes com esta hipótese, porque os terroristas não são muito diferentes de nós. Uma das ideias mais tontas postas a circular é que estes actos vêm de seres especiais, monstros bárbaros sem cultura nem civilização. De facto eles são pessoas exactamente iguais a todos. Há terroristas árabes, irlandeses, americanos ou espanhóis. São gente normal, com uma única diferença: um desespero orgulhoso que os descontrola, como nos descontrolaria a nós.
Supõe que és um terrorista. Mas não tentes penetrar nessa atitude. O desespero e o orgulho, as duas forças mais horríveis do mundo, destroem de tal modo a lógica e o raciocínio, distorcem de tal maneira a personalidade, que impossibilitam a compreensão a qualquer pessoa fora da sua influência. Por isso não tente entender as suas razões.
Supõe que és um terrorista, mas apenas para te colocares esta pergunta lateral: qual seria a coisa melhor que lhe poderias fazer? Se o teu objectivo é criar o terror, o pânico, a confusão, qual seria a reacção que mais te conviria? Não existem muitas dúvidas de que, do ponto de vista deles, o melhor que se poderia fazer era declarar um "guerra contra o terrorismo". Para quem quer gerar o medo, o ideal seria reagir aos atentados com uma mobilização global em toda a escala. Assim se magnifica ao máximo, os efeitos do terror.
A técnica destes guerrilheiros modernos é muito simples. Fazer um acto brutal e espectacular e depois contar com o nervosismo resultante para provocar os efeitos.
Os terroristas são poucos e os seus estragos pontuais, mas o susto faz o resto. Multiplica-os, fortalece-os, dá-lhes alcance, visibilidade, omnipresença. Basta-lhes fazer uma acção de vez em quando para se manterem permanentemente na atenção das suas vítimas.
Este documento foi criado em 2001, pouco tempo depois do 11 de Setembro, com excertos de outros artigos que tal como este, queriam dar às pessoas uma imagem mais real da que havia na altura, acerca dos terroristas. Embora aos 11 anos eu sabia que não tinha uma noção clara e verdadeira do que realmente acontecia, ao produzir este artigo, fiquei com uma noção muito mais nítida sobre o Terrorismo e desde então, estes "conceitos" têm-me ajudado sempre a fazer uma melhor análise das informações que recebo.


<< Home